domingo, 12 de abril de 2020

FÁBULA

Também podemos ter seis meses de céu escuro", diz Bolsonaro, em ...

Taiasmin Ohnmacht


Ratos não são crianças
Homens são
Homens não-sãos
Homens tóxicos
Homens bomba
Vociferam à beira da morte
Meio-fio
Ao longe um flautista
Sem flauta
Toca

segunda-feira, 30 de março de 2020

IMAGEM VAZIA

A oração e o silêncio de Deus | Pão Diário


Taiasmin Ohnmacht

eu quero apagar as linhas
desescrever letra por letra
restabelecer o branco da folha
quero desdizer o que disse
chegar ao silencioso ato
da mão que em seu último traço
apaga o primeiro
sem rastros
hoje quero o silêncio da morte
a boca muda
que você não venha
estou muito cansada
para suportar as palavras
elas me doem em suas exigências
eu só quero silêncio

NENHUMA HISTÓRIA PARA CONTAR

Brasil Fora de Estrada: Briga dos Pneus



Taiasmin Ohnmacht

Fui embora de Recife
Voltei ao Guarujá
Um amor meio trambique
Nenhuma história para contar

Enfadonha a mente
Do Espírito Santo
Papo vazio, deprimente
Se um dia eu for a Roraima
Compro champanhe e aguardente

Balão
Cai no chão frio
Dessa terra desbotada
Não cai não
Desse Sul
Não sai mais nada

sexta-feira, 27 de março de 2020

PORQUE O AMOR

ventos


Taiasmin Ohnmacht


porque o amor é ridículo

porque o amor é tua ausência

porque o amor é o que não sei

o que não tem

aquilo que teus olhos não dizem

porque o amor é qualquer coisa

desencontros e mal entendidos

porque o amor é te sentir

quando não estás

quando saíste

quando não vais voltar

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

JOGO




Taiasmin Ohnmacht 

Uma caixa desmontada
Algo como o esboço de um tabuleiro
A liberdade exige movimento das peças
E em cada quadrado cabe um corpo inteiro
Para ficar? Para partir?
De mim, só entendo o vento no rosto
E a estrada aberta
Que fale quem me viu passar
E fale o que entendeu
Amanhã terei outro nome
E serei caixa aberta 
para novo jogo

domingo, 12 de janeiro de 2020

NA FOLHA



Taiasmin Ohnmacht

na folha
um borrão de tinta
suspira ai-de-mim
o mestre lê
deixa-disso
o seu nariz torcido
me deixa aflito

na folha
lorotas
para fazer cócegas
na ponta da língua
quem sabe surge um sorriso
aonde preciso

domingo, 10 de novembro de 2019

HIPERMODERNO


Resultado de imagem para desencontro

Taiasmin Ohnmacht

eu sigo em alta velocidade
e tu corres, não sei para onde
o nosso encontro é um acidente
e marcas leves
e um até breve
a cidade é assombrada
por luzes, neon e fachadas,
a velocidade é absolutamente necessária
e eu, nada
o nosso desencontro é inevitável
em um mundo de forasteiros
sempre lançando para o amanhã
a promessa de um lugar
rostos passam por mim
simpáticos ou não
esquecê-los é fácil,
o problema é a solidão
de quem nem sabe mais
por que corre ou para onde
porém, muito fugaz,
tudo se perde
e a emoção é um fio solto
que já não se amarra,
nem se encontra a ponta
um dia escrevo um ponto
e ponto
eu já não sei mais parar