terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

JOGO




Taiasmin Ohnmacht 

Uma caixa desmontada
Algo como o esboço de um tabuleiro
A liberdade exige movimento das peças
E em cada quadrado cabe um corpo inteiro
Para ficar? Para partir?
De mim, só entendo o vento no rosto
E a estrada aberta
Que fale quem me viu passar
E fale o que entendeu
Amanhã terei outro nome
E serei caixa aberta 
para novo jogo

domingo, 12 de janeiro de 2020

NA FOLHA



Taiasmin Ohnmacht

na folha
um borrão de tinta
suspira ai-de-mim
o mestre lê
deixa-disso
o seu nariz torcido
me deixa aflito

na folha
lorotas
para fazer cócegas
na ponta da língua
quem sabe surge um sorriso
aonde preciso

domingo, 10 de novembro de 2019

HIPERMODERNO


Resultado de imagem para desencontro

Taiasmin Ohnmacht

eu sigo em alta velocidade
e tu corres, não sei para onde
o nosso encontro é um acidente
e marcas leves
e um até breve
a cidade é assombrada
por luzes, neon e fachadas,
a velocidade é absolutamente necessária
e eu, nada
o nosso desencontro é inevitável
em um mundo de forasteiros
sempre lançando para o amanhã
a promessa de um lugar
rostos passam por mim
simpáticos ou não
esquecê-los é fácil,
o problema é a solidão
de quem nem sabe mais
por que corre ou para onde
porém, muito fugaz,
tudo se perde
e a emoção é um fio solto
que já não se amarra,
nem se encontra a ponta
um dia escrevo um ponto
e ponto
eu já não sei mais parar

sexta-feira, 3 de maio de 2019

ENTRE

  Resultado de imagem para PENUMBRA SALA


Taiasmin Ohnmacht

  mas sei, tem algo que não se encaixa, sempre tem. No caso desta sala, sou eu, porque estante e mesa combinam super bem.
  Tem uns óculos em cima do aparador que são de ninguém, mas como estão ao lado de uma agenda aberta, página em branco, talvez eles esperem algum registro para se arvorarem utilidade.
  Os controles remotos são rebeldes, se sabem desejados, daí se dão ao luxo de brincar de esconde-esconde com urgências fingidas.
  O sofá faz convites para a escolha de um livro da estante. A comodidade do assento para viagens sem cinto e sem segurança.
  Flores artificiais no vaso garantem que o risco de morte seja apenas meu.
  Garanto a minha vida quente e perfumada no café que passo para as visitas, mas não me encaixo bem nem no sofá, nem na estante.

domingo, 20 de janeiro de 2019

JUNTOS

Resultado de imagem para reticências


Taiasmin Ohnmacht


e como se distantes fossem

espaldar com espaldar
olhares em direções opostas

supor um leve sinal
sentir o perfume
ouvir canções silenciosas
um rastro de presença
em tanta ausência sentida

um traço demente
afigura um final
pretendido fingido dissimulado

terça-feira, 4 de setembro de 2018

PELA JUSTA MEDIDA

Resultado de imagem para fiel da balança

Taiasmin Ohnmacht


o fiel da balança
balança em angústia
e dança aos olhos
da tia com pequena
quantia para o pão

o cidadão que vende
mente cada centímetro
de falsa calibração
o vazio da barriga
explica o silêncio
da boca e encerra questão.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

CIRCULAR



Taiasmin Ohnmacht

de tudo o que tinha. Tiro. Frames confusos. Tiro. Grito até encontrar o silêncio premente. Pré-mente. Conta a ti mesmo e eu mentirei quantos tu és. Quantos és tem a palavra buscapé? Sem mente, corre no chão, sem mente, zigue-zagueando, sem mente, para, estoura, enterra. Cresce carcomido o adeus que te dei, árvores tronchas de galhos a se fingirem dedos. Devo dizer, de galhos a se fingirem pelos. Devo dizer, devo dizer, devo dizer. Ponto. Restam folhas de alface para fazer. Pronto. Prato feito, primeiro minuto. Tiro o sal de minha carne. Tiro o sal